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SMU Investimentos
15 de junho de 2022 · 0 min de leitura

Fluxo de caixa, Berkus e Capital de Risco: como calcular o valuation da sua startup?

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Saber o valor de mercado real do negócio pode determinar a entrada de investidores e estabelecer a participação dos sócios após um novo aporte

Recentemente, listamos aqui as diferentes formas que os empreendedores possuem para calcular o valuation de suas startups. À primeira vista, pode parecer mais uma entre as tantas tarefas de quem gerencia empresas de tecnologia.

Antes de mais nada, é preciso dizer que não há consenso sobre qual a melhor maneira de desenvolver tal trabalho. Em companhias novatas, a discussão sobre o valor de mercado pode ser um tanto complexa, uma vez que envolve pontos como o plano de negócios, potencial de crescimento das receitas, aumento do número de clientes ao longo dos anos, criação de novos produtos para agregar valor ao portfólio e incremento de tecnologia.

Existem, porém, diferentes métricas que podem ajudar os founders. Isso é fundamental para que o empreendedor consiga atrair novos investidores e fundos de venture capital, aumentar o tamanho dos aportes e ter uma perspectiva mais rápida de expansão, além de estabelecer a sua e as participações dos parceiros após os  rounds .

Saiba mais sobre como funcionam os principais indicadores para calcular o valuation das startups na prática.

1 — Fluxo de Caixa Descontado

O chamado FCD é bastante utilizado, principalmente por empresas de grande porte, para entender qual o potencial de determinada startup em crescer e se perpetuar no mercado. No caso das empresas em early stage, apesar de permitido, o fluxo de caixa descontado não é recomendado como a única metodologia, já que se baseia em projeções de receitas futuras (algo complicado para quem está dando os primeiros passos).

Neste sentido, quanto mais recente é a empresa, mais difícil é ter projeções aproximadas da realidade. Para ficar mais claro, imagine o seguinte cenário: os fundadores de uma EdTech estimaram o faturamento da startup em R$ 250 mil no primeiro ano, R$ 285 mil no segundo ano, R$ 330 mil no terceiro ano e, ao final do quarto ano, em R$ 450 mil.

1º ano: R$ 250 mil

2º ano: R$ 285 mil

3º ano: R$ 330 mil

4º ano: R$ 450 mil.

A partir daí, é preciso calcular a taxa de retorno do período, para chegar ao valor atualizado das receitas futuras no momento presente. Pode ser um tanto complicado. Para simplificar, pense na desvalorização do seu dinheiro pela inflação.

Considerando uma taxa de juros de 10% ao ano, a conta a ser feita é a seguinte:

1º ano: R$ 250.000/(1,1) = R$ 227.272

2º ano: R$ 285.000/ (1,1)² = R$ 235.537

3º ano: R$ 330.000/ (1,1)³ = R$ 248.120

4º ano: R$ 450.000/ (1,1)⁴ = R$ 308.219

No entanto, calcular o valuation passa pelo crescimento perpétuo daquele negócio, ou seja, entender o quanto a companhia pode gerar de valor no longo prazo. Para isso, o empreendedor deve levar em conta o fluxo de caixa previsto no último período sem a atualização (R$ 450.000) e somar a taxa de retorno com o crescimento estimado anual (1+5%).

Depois, deve-se multiplicar o fluxo de caixa pela estimativa de crescimento da empresa. Na etapa seguinte, ele divide a diferença entre o custo de capital (10%) e o crescimento anual estimado (5% ao ano).

*Perpetuidade: R$ (450.000*(1,05) / (0,10–0,05) = 9.450.000

Para trazer essa mesma quantia para o valor presente, é necessário fazer um processo semelhante às etapas anteriores:

4º ano: R$ (450.000 + 9.450.000)/(1,1)⁴ = 6.761.833

Para finalmente chegar ao valuation, o empreendedor soma os três primeiros anos do fluxo de caixa (R$ 710.929) com os R$ 6.761.833. Dessa maneira, ele chega ao montante de

R$ 7.472.577 Portanto, este seria o  valuation  pelo critério de caixa descontado.

Esse montante é considerado atrativo para o mercado em que a empresa atua? É uma boa curva de crescimento ou poderia ocorrer de forma ainda mais acelerada? Essas são as perguntas seguintes a serem respondidas.

Berkus

Vale ressaltar que o valuation pode ser empregado, ainda, na dissolução de sociedades ou na fusão e aquisição de empresas. No caso do método Berkus, criado pelo investidor-anjo Dave Berkus, o modelo visa estabelecer um valor de mercado para empresas que ainda não possuem receita, ou seja, aquelas que estão no early-stage.

tQuanto mais madura for a proposta em cada um dos cinco critérios, mais pronta estará a empresa para disputar espaço com os concorrentes.

Este método pode ser calculado da seguinte maneira (adaptável a cada empresa e realidade):

Uma boa ideia (valor básico): entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

Protótipo (redução de risco de tecnológico): entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

Qualidade do time gerencial: entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

Relacionamentos estratégicos: entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

Lançamentos e vendas de produtos: entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

Capital de Risco

Assim como o Berkus, o Capital de Risco também é utilizado para considerar o desembolso em empresas de tecnologia. Mas é comum que essas startups já tenham algum tempo de mercado.

Os empreendedores devem considerar quais os aspectos necessários para o crescimento da companhia, qual é o cenário para o mercado em que ela está inserida e qual o índice de preço sobre lucro da startup em comparação com as rivais.

Após alcançar o valor, é necessário inserir uma taxa de desconto (como no caso feito acima). A ideia é obter a receita para o 5ª ano de operação da companhia. Para chegar lá, é necessário fazer a seguinte conta: preço sobre lucro/lucro líquido ao final do 5º ano, para saber a margem líquida ao final deste período.

Múltiplos de mercado

Basicamente, o método de múltiplos de mercado consiste na avaliação relativa do valor de empresas idealmente semelhantes. Ou seja, o indicador tem como base as transações de mercado de negócios comparáveis para se avaliar o preço de uma determinada empresa.

A comparação entre empresas de capital aberto e fechado podem gerar grandes disparidades, vez que os negócios funcionam de forma diferentes, por exemplo. Veja alguns múltiplos para calcular as receitas, EBITDA, EBIT e lucro líquido.

LTM

O LTM (Últimos Doze Meses, na tradução do inglês) se refere a indicadores que representam a performance do último ano de uma empresa. Uma métrica que pode ser considerada um LTM é a receita bruta, lucro líquido ou Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação).

Assim, é comum que o LTM seja utilizado para chegar ao valor de mercado no processo de desinvestimento de um fundo ou investidor em determinada companhia, por exemplo.

NTM

Já o modelo oposto, o NTM (Próximos Doze Meses), serve para apurar a performance de uma empresa dali a um ano. É um indicador empregado para quem vai comprar ou adquirir participação em um negócio.

Mas, no caso das startups, é preciso ter cautela: como algumas empresas de tecnologia podem ter crescimento acelerado, a taxa de crescimento pode ter grandes variações de um ano para o outro.

Além disso, é necessário considerar que negócios são cíclicos ou possuem certa sazonalidade para comparações mais precisas. Diferente de grandes companhias, as startups não costumam ter fluxos de caixa consistentes e as despesas podem oscilar bastante.

Cada negócio é livre para adaptar suas diretrizes e quantificar os critérios acima de forma flexível. Como benefício, a análise e a quantificação de cada fator ajudam o empreendedor a ter uma visão holística das grandes metas já conquistadas. Essa visão pode contribuir para servir como justificativa e embasamento empírico durante as negociações com investidores